CNBB DIZ QUE PAÍS PERDEU O RUMO

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) elaborou um documento em que analisa a situação moral do país, abordando questões como corrupção, a punição aos crimes, o sentimento de nacionalidade, entre outras. O relatório foi elaborado pelo Setor Pastoral Social e concluiu no tópico "Desordem e a Violência" que, "diante de tanta violência, de tanta bandalheira e tanto abandono, fica a impressão de que tudo virou uma bagunça geral" no país. "Parece que o Brasil perdeu o rumo e a população já não gosta muito de ser brasileira. Cada um vai caindo no isolamento e na falta de patriotismo. De acordo com a CNBB, "a corrupção e as manobras fizeram o povo perder a confiança nos políticos, na polícia e na Justiça. Mesmo as Comissões Parlamentares de Inquérito não deram no que se esperava, que era a punição dos culpados, com a restituição do dinheiro roubado". O documento informa que o projeto de modernizar o país favoreceu os donos das terras e do capital e não considerou as necessidades da população e nem o que era possível fazer em cada região. "Então a modernização foi um desastre: concentração maior das riquezas, multiplicação da miséria e a destruição do meio ambiente". Para o Setor Pastoral Social da CNBB, a "modernidade no Brasil significou escravidão, matança dos índios, destruição da natureza, desigualdade social, concentração de privilégios, ditaduras militares, dívida externa crescente, desrespeito às culturas, rebaixamento moral e o Brasil ficou dependente dos países ricos". Segundo a CNBB, "os ricos, no Brasil, ficaram com mais renda, por muitas razões. Entre elas está o arrocho salarial, a inflação que é repassada aos produtos, mas não aos salários. Também os incentivos fiscais que o governo dá às empresas e os impostos que elas não pagam e incluem nos preços dos produtos". No que se refere à concentração política no país, a CNBB diz que "os estados dependem em tudo do poder central, em Brasília, sem participar da construção dos planos nacionais. O governo federal não respeita as diferenças políticas, econômicas e culturais das regiões. Isso acontece também com a municipalização". Com relação à concentração de terras, conclui a CNBB que "em todas as regiões, no campo e na cidade, a terra está na mão de poucos. A reforma agrária é indispensável para a transformação econômica, política e social do Brasil". Para o Setor Pastoral, "a sociedade brasileira está dividida em duas partes: os incluídos e os excluídos. A minoria consome muito, enquanto a maioria restante passa fome. Os excluídos são vistos como um atrapalho ao progresso". De acordo com a CNBB, "a fome, o abandono, a falta de esperança no futuro ajudam as pessoas a serem egoístas, não pensarem no dia de amanhã e seguirem suas próprias leis. Isso gera desordem na família, nas associações, nos partidos e no Estado. Já não existem normas, regras e valores aceitos e vividos pela maioria da população" (JC).