BID: CAI A INFLUÊNCIA DO BRASIL

O Brasil acabou mesmo perdendo o terceiro lugar na hierarquia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Depois de sucessivos adiamentos, a diretoria do BID aprovou o projeto de reforma administrativa que, entre outras novidades, extingue a gerência de operações, ocupada pelo Brasil desde a fundação do organismo, em 1959. A decisão foi adotada no dia 15 último e divulgada pelo BID durante a semana passada. O comunicado não faz referências à eliminação do cargo, mas informa sobre a criação de três departamentos de países, que, na prática, substituem as gerências regionais anteriormente subordinadas à gerência de operações. Com a nova estrutura, esses departamentos responderão diretamente à vice- presidência do BID, posição mantida pelos EUA também desde 1959. O Brasil ocupará uma das gerências de departamento, mas não mais terá uma visão de conjunto das atividades do BID, o que lhe permitia acompanhar a execução de suas políticas para toda a América Latina. Essa faculdade só a terão o presidente do banco, Enrique Iglesias, e a vice-presidente Nancy Birdsall. Proposta pelos EUA e apoiada pelo presidente Iglesias, a reforma obteve a aprovação dos 12 diretores do BID, com o único voto de oposição do Brasil (GM).