Debaixo de muita chuva, cerca de 10 mil pessoas participaram ontem da VII Romaria da Terra no mutirão de Campo Alegre, em Queimados, na Baixada Fluminense. Com o objetivo de incentivar e conscientizar os agricultores da região a lutar pela posse da terra, os romeiros, de diversas religiões e cidades do Estado do Rio de Janeiro, enfrentaram quatro quilômetros de caminhada na lama até o Cruzeiro, onde repartiram o pão e comemoraram os 10 anos do mutirão. Os fiéis se concentraram na Avenida dos Mutirões para assistir à abertura da festa feita pelo padre Geraldo Lima, da igreja São Sebastião, um dos precursores do movimento de ocupação da área, e o bispo de Nova Iguaçu, dom Adriano Hipólito, esclareceu que a romaria não resolveria os problemas dos agricultores, mas poderia contribuir na luta pela regularização da terra. Padre Geraldo celebrou a misso de encerramento do evento. Ele denunciou maus-tratos praticados pelos sitiantes aos trabalhadores e citou o problema vivido pelos agricultores de Macaé, no Norte Fluminense, obrigados a passar fome. O Mutirão-- Após uma série de discussões na catedral de Nova Iguaçu, um grupo de trabalhadores resolveu liderar a ocupação do mutirão de Campo Alegre, em 1984, que pertencia ao estado. Ali, 500 famílias deram início à produção de aimpim, quiabo e cana-de-açúcar. A maior luta da comunidade, no momento, é para conseguir o título de posse da terra, prometida pelo governo do estado desde a ocupação das famílias (O Dia).