O governo tem paralisadas ou atrasadas 23 obras de construção de açudes no Nordeste. Para concluí-las, precisaria de US$512,9 milhões. Mesmo assim, a partir do próximo mês, pretende começar a implantar um novo projeto de irrigação na região, no valor de US$2 bilhões. É o projeto de bombeamento das águas do rio São Francisco, com o objetivo de irrigar terras nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. A iniciativa é a única obra de grande vulto do governo Itamar Franco e coincide com o período eleitoral em que se define a sucessão presidencial. A justificativa do Ministério da Integração Regional para o projeto é que os açudes não são suficientes para atender à necessidade de água no Nordeste. O ministério diz que o projeto poderá irrigar 1,2 milhão de hectares nos quatro estados. Já os 23 açudes irrigariam uma área de 44.670 hectares no Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia. O ministro da Integração Regional, Aluízio Alves, diz ainda que as secas são prolongadas na região e, por isso mesmo, as chuvas não garantem o abastecimento de água dos açudes. O presidente Itamar determinou que o Banco do Brasil monte esquema para captação de US$250 milhões no exterior, para cobrir os custos das obras em 1994. A decisão governamental de levar à frente o projeto, no entanto, contou com a oposição do ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero. A necessidade de usar os poucos recursos em outras prioridades, como recuperação de rodovias federais, e a inconveniência de criar um projeto no final do governo são os principais argumentos de Ricúpero para se contrapor ao projeto (FSP).