Após a celebração de uma missa na Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro (capital), a Praça Pio X, em frente da igreja, foi abraçada ontem, ao meio-dia, por cerca de 500 pessoas-- no ato em memória dos oito menores executados na madrugada de 23 de julho do ano passado naquele mesmo local. Enquanto os sinos da igreja tocavam, os participantes da manifestação fizeram um minuto de silêncio. Seis dos sobreviventes da chacina preferiram não assistir à missa na Candelária. Ao lado de integrantes do Centro Brasileiro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CBDDCA) e da artista plástica Yvonne Bezerra de Mello, eles participaram de outra celebração, na Igreja Nossa Senhora do Parto, a um quilômetro da Candelária. Divergências entre organizações não-governamentais (ONGs), que prestam assistência aos menores de rua, acabaram provocando a divisão entre os participantes das manifestações de ontem para lembrar a chacina da Candelária. Segundo Yvonne, os menores que assistiram à missa com ela não quiseram ir para a Candelária porque sabiam que iriam ser novamente
81364 explorados politicamente. Amedrontados, as cinco crianças que assistiram à missa com Yvonne se recusaram a dar entrevistas com medo de serem reconhecidos "por algum assassino ainda solto". A missa da Candelária reuniu crianças, integrantes de ONGs e políticos como o candidato ao governo do estado pelo PT, Jorge Bittar, e outros deputados do PT e do PPS. Em Brasília (DF), o Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua divulgou manifesto sobre a chacina da Candelária, criticando a omissão dos poderes Executivo e Legislativo na assistência aos menores de rua. De acordo com a entidade, o Executivo até hoje não enviou ao Congresso Nacional os 10 projetos de lei elaborados por entidades de defesa dos direitos humanos com medidas para combater a violência. Com relação ao Legislativo, a nota afirma que dois projetos de lei de autoria do deputado Hélio Bicudo (PT-SP), que propõem a desmilitarização da polícia e a transferência dos julgamentos de PMs da Justiça Militar para a Justiça comum, "vêm sofrendo obstruções e emendas para desvirtuá-los de seus objetivos". Em outro trecho, a nota afirma que "os assassinos e seus adeptos permanecem atuando livremente, tendo como baluarte a certeza da impunidade". Para a entidade, não há coragem para romper o ciclo de impunidade e fazer valer o preceito constitucional que assegura à criança e ao adolescente prioridade absoluta" (O ESP) (O Dia).