A IMPUNIDADE DO MASSACRE DA CANDELÁRIA COMPLETA UM ANO

Exatamente um ano depois da chacina da Candelária, no Rio de Janeiro (capital), os principais punidos continuam sendo as oito crianças de rua assassinadas a tiros na madrugada de 23 de julho. Entre os quatro denunciados pelo crime, até mesmo a polícia admite que pode haver inocentes; três autoridades que investigavam com seriedade a chacina-- os delegados Wilson Machado Velho e Elias Barbosa e o tenente-coronel Walmir Alves Brum-- estão afastados do caso; um outro inquérito ainda se arrasta na Delegacia de Defesa da Vida (DDV); o atual diretor da DDV, Antônio Agra, nada sabe sobre o assunto; e, por fim, as crianças da Candelária e de outras partes da cidade continuam nas ruas, sem a menor assistência. O novo inquérito, que deverá terminar em 30 dias, está em andamento devido ao empenho dos dois promotores que trabalham no caso: José Mun~oz Pin~eiro e Maurício Assayag, do II Tribunal do Júri. Atualmente, o inquérito está nas mãos do Ministério Público, que o encaminhará de volta à delegacia com pedidos de novas diligências. Pin~eiro adianta que quatro ou cinco pessoas serão denunciadas tão logo o inquérito seja concluído. Os futuros réus devem ser o soldado Arlindo Lisboa Afonso Júnior, em cuja casa foi encontrada uma das armas utilizadas na chacina; o tenente Luis Henrique de Lima, do 5o. BPM (Harmonia), que afirmou estar com um dos acusados-- o tenente Marcelo Ferreira Cortes-- na hora do crime; os soldados Jaílson Luccas e Paulo César de Mello, do 5o. BPM, que participaram do socorro às vítimas; e o soldado Guilherme Teo Mega, reconhecido pelo soldado Brito como tendo procurado pelos garotos de rua, no Largo da Carioca, pouco antes da chacina. O que levaria um grupo entre oito a 12 homens a assassinar friamente oito crianças, sem oferecer qualquer tipo de reação? Entre as versões apresentadas até agora, a polícia ainda não chegou a uma conclusão exata. O Ministério Público, no entanto, sustenta a causa apresentada inicialmente, de que a chacina foi uma vingança dos Policiais Militares que participavam do policiamento de uma passeata entre a Candelária e a Cinelândia. Naquela tarde de 22 de julho, crianças de rua apedrejaram um carro de polícia que levava um homem que vendia cola de sapateiro para eles. "Abre o olho que a gente volta". Este teria sido o aviso dado por PMs naquele momento, segundo R., 18 anos (JB).