Oficiais da Marinha negociaram com traficantes a devolução de munição furtada de um quartel em março deste ano. Um inusitado acordo de cavalheiros entre militares e traficantes de drogas permitiu que a corporação recebesse de volta metade das 22 mil balas Lugger 9 milímetros-- para pistolas e metralhadoras-- desviadas duas semanas antes do Centro de Munição da Marinha, na Ilha do Boqueirão, vizinha da Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro (capital). Temendo que o Morro do Dendê, na Ilha, fosse invadido por fuzileiros navais, os traficantes, liderados por Romilton Souza Costa, o Miltinho", decidiram devolver 11 mil das balas furtadas do Centro de Munição Almirante Antônio Maria de Carvalho, em 21 de março. Para negociar com os oficiais da Marinha, os traficantes exigiram-- e conseguiram-- sua exclusão do Inquérito Policial Militar (IPM) que apurou o desvio da munição, privativa das Forças Armadas. Embora a Marinha não tenha assumido qualquer compromisso, o Morro do Dendê não foi invadido nem o líder locar do tráfico de drogas foi acusado de receptação no IPM presidido por oficiais do Cenimar (Centro de Inteligência da Marinha). Miltinho é, segundo a polícia, um dos maiores contrabandistas de armas que chegam ao Rio pela Baía de Guanabara (JB).