MOVIMENTO PELA PAZ PREGA DESOBEDIÊNCIA CIVIL

A sociedade civil começa a reagir contra a violência nas ruas. Vai recorrer à desobediência civil para obrigar as autoridades a garantirem a segurança da população. A suspensão do pagamento de impostos é a primeira armar surgida no "Quartel General" do combate à violência no Rio de Janeiro (capital) em que se transformou a casa da família do estudante Sérgio Augusto Travassos de Figueiredo, de 21 anos-- assassinado no Mirante do Leblon, zona sul da cidade, há 11 dias. Cerca de 30 representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), do movimento Viva Rio, de associações de moradores, do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), da Associação das Vítimas da Violência e vários artistas reuniram-se ontem à noite no apartamento da família, em Copacabana, para definir o plano de luta pela paz. Com assessoria jurídica da OAB, a proposta de desobediência civil será lançada nos próximos dias. O movimento pela paz e contra a omissão das autoridades públicas começou a ganhar aliados no enterro de Sérgio Augusto, dia 10, quando sua irmã, a estudante Solange Figueiredo, de 23 anos, emocionou a cidade ao pedir o desarmamento da população e a mobilização pela paz. No último dia 16, após a missa de sétimo dia de Sérgio, cerca de 400 pessoas vestiram roupas brancas e caminharam na Avenida Atlântica com flores nas mãos. A violência no trânsito também está na pauta da "Ação do amor contra a violência". O movimento prega o desarmamento, a reforma do sistema penitenciário e mais investimento em saúde e educação. O grupo planeja atos de desobediência civil como a obstrução de vias públicas em manifestações pacíficas (JB).