O Brasil não resolverá os problemas da desigualdade social antes de frear drasticamente o crescimento da população. Essa é a opinião do biólogo e geneticista Crodowaldo Pavan, da Universidade de Campinas (Unicamp), que fez ontem uma conferência sobre o assunto na 46a. Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que se realiza em Vitória (ES). "O aumento acelerado da população é o combustível da fogueira do subdesenvolvimento", disse Pavan. Para ele, o problema demográfico é um dos maiores desafios da espécie humana, por funcionar como combustível de outros problemas, como a fome e o desemprego. O cientista lembrou, durante a conferência, que a população do planeta drobra a cada 75 anos, devendo ultrapassar a barreira dos 10 bilhões de pessoas por volta do ano 2070. Quem empurra essa explosão populacional, segundo Pavan, são os países pobres, como o Brasil. Por causa disso, será inevitável, num futuro próximo, que os países ricos pressionem os demais países para que adotem medidas de controle demográfico. Isso contraria o instinto de reprodução da espécie, mas se a humanidade não fizer isso haverá destruição em massa de pessoas", observou. Pavan enfatizou que não se deve acreditar no poder absoluto da ciência como solução para os problemas decorrentes do crescimento populacional. "Os recursos naturais são limitados e não podem ser usados descontroladamente", afirmou. A respeito do Brasil, o cientista admitiu que houve uma queda acelerada na taxa de fecundidade das mulheres. Só no Estado de São Paulo, segundo dados da Secretaria de Planejamento, houve uma variação negativa de 33% no período de 10 anos. Mas as mulheres mais pobres, por falta de informação, ainda são as que têm maior número de filhos, de acordo com Pavan. "As mudanças ocorridas devem-se ao movimento feminista, que alterou padrões de comportamento", disse. "Nossos governos não fazem nada nessa direção, apesar de ser sua obrigação", afirmou. Respeitado na comunidade científica por seus trabalhos na área de genética, Pavan já presidiu por duas vezes a SBPC, além de ter dirigido o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (O ESP).