Uma proposta de reflorestamento da empresa Aracruz Celulose para o Estado do Espírito Santo, descrita ontem no debate "Florestamento e Reflorestamento no Brasil: Problemas de Organização dos Espaços Produtivos", foi marcada por protestos no auditório da 46a. Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que se realiza em Vitória (ES). O projeto da Aracruz prevê que agricultores cultivem eucalipto em cerca de 180 mil hectares e que 540 mil hectares sejam cobertos de plantas nativas em uma cooperação da empresa com o governo. Esse reflorestamento está embargado desde 1991 sob alegação de não ter sido acompanhado por um relatório de impacto ambiental. Segundo Luciano Lisbão Jr., coordenador de recursos ambientais da Aracruz, o relatório é exigido apenas para empreendimentos que envolvem áreas acima de 100 mil hectares. O projeto da Aracruz, proprietária de 1,86% do território do Espírito Santo, envolve propriedades agrícolas de no máximo nove mil hectares, disse Luiz Sorensine, ex-diretor da empresa que participou da mesa-redonda. Segundo ele, a proposta da Aracruz elevaria, em 21 anos, a cobertura florestal do estado dos cerca de 9% atuais para 20%-- número comparável ao de 1975 (FSP).