SBPC CRITICA MODELO DE RESERVA EXTRATIVISTA

O modelo de reserva extrativista como protetoras da biodiversidade das florestas tropicais, defendido pelo ecologista Chico Mendes, morto em 1988, pode estar começando a perder a majestade. Esta é a tese proposta pelo presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Aziz AbSaber, que sugeriu a polêmica mesa-redonda "Economias ditas auto- sustentáveis e a preservação da biodiversidade"-- realizada ontem, terceiro dia da 46a. Reunião Anual da SBPC, em Vitória (ES)-- em busca de novos caminhos para conciliar proteção ambiental e substância da população. Ele contestou o projeto do pesquisador Paulo Kageyama, da Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz (Esalq), em Piracicaba (SP), ligada ao governo federal, por ainda buscar na reserva extrativista a solução para o problema. Kageyama apresentou os resultados de experiências que vem realizando na Amazônia, onde recria pequenas Ilhas" de seringueiras envolvidas por floresta. Segundo ele, a floresta age como um "tampão" contra insetos e doenças, tornando os seringais mais produtivos. "As pragas que atacam as seringueiras não agem em determinados pontos da floresta por um "erro" da natureza. O que queremos é provocar este "erro" mais vezes e ampliá-lo para outras áreas, fazendo os seringais viverem mais e renderem. Nossa experiência está mostrando que dá certo", afirmou o pesquisador. É um equívoco partir do princípio que as reservas extrativistas são
81292 convenientes. Na Amazônia, existem vários tipos de uso do solo por grupos
81292 tradicionais, como os índios, o que não justifica manter a floresta em
81292 volta da plantação de seringueiras. Propus esta mesa-redonda porque queria
81292 ouvir novas estratégias, novas alternativas para a preservação da
81292 biodiversidade, disse (JB).