COPA DO MUNDO: TETRACAMPEÕES CHEGAM AO BRASIL

O Brasil fez mais do que parar para esperar os jogadores da Seleção Brasileira de Futebol tetracampeões mundiais. O país, representado por Recife (PE), Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ), engarrafou as ruas, esperou pacientemente, pulou na dança, tratou os jogadores como heróis. A cada escala, uma nova etapa da emoção de uma viagem esperada há 24 anos, que se iniciou nos EUA. Em Recife, o Brasil carnaval. Apesar do cansaço, os jogadores pediram para que o avião desse umas voltinhas a mais antes de pisar no solo brasileiro. Queriam ver o milhão de pessoas nas ruas da capital pernambucana. Ricardo Rocha, o pernambucano do grupo, era o anfitrião. Ao descer do avião, Ricardo Rocha beijou o chão do aeroporto. Em Brasília, o Brasil oficial. Escoltados por aviões da Aeronáutica, os tetracampeões foram ganhar o que cabe aos heróis: medalhas. E ninguém melhor do que Romário para driblar o protocolo, da janela da cabine de comando, com a bandeira do Brasil. O meio milhão de pessoas que foi às ruas também não estava nem aí para a pompa do Palácio do Planalto. Retardou o quanto pôde a chegada dos jogadores ao Planalto, onde foram condecorados pelo presidente Itamar Franco. Os jogadores exibiam em seu desfile a Taça FIFA e o capacete do piloto Ayrton Senna, a quem dedicaram o tetra. O presidente Itamar entregou aos jogadores e a comissão técnica medalhas do Mérito Desportivo. A solenidade foi realizada no Parlatório, na rampa do Palácio do Planalto. Ao final dos 45 minutos da cerimônia, Itamar ergueu a taça. No Rio, o Brasil herói. O povo esperou nas ruas durante o dia inteiro para ver a seleção, que só chegou no final da noite. Embora só tivesse acabado de cruzar a Avenida Brasil por volta de duas horas da madrugada de hoje, a chegada dos tetracampeões mundiais fez o Rio ficar acordado. Na Cinelândia, tradicional ponto de comemorações da cidade, mais de 30 mil pessoas faziam festa desde cedo, com muitas bandeiras do Brasil e cartazes homenageando os jogadores, principalmente Romário. A praia de Copacabana repetia a cena das festas de fim de ano, com fogos de artifício e cerca de 500 mil pessoas festejando a passagem dos jogadores, que desfilaram em dois carros de bombeiros. O título de tetracampeões não ajuda, em nada, os jogadores da seleção a enfrentar os fiscais da Alfândega no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (AIRJ)-- os campeões desembarcaram carregados com televisores, geladeira, máquina de lavar, computadores e outras compras feitas nos EUA. Osiris Lopes Filho, secretário da Receita Federal, disse que não há qualquer orientação especial para a verificação da bagagem da seleção, mas garantiu: "A Alfândega no Rio terá de ver isso e fazer cumprir a lei. Não pode haver exceção. A lei é para ser cumprida". Foram necessários uma hora de atraso e três caminhões-- que transportaram as compras dos jogadores-- para a seleção deixar o aeroporto (O Globo) (JB).