A incorporação de terras ao processo produtivo, através de financiamento à abertura de novas fronteiras agrícolas, é uma das prioridades definidas pela área de projetos agroindustriais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dentro do Programa de Planejamento do banco, em fase de elaboração e cujas sugestões técnicas estarão concluídas em agosto próximo. Dentro deste projeto de retomada do processo de expansão da produção agrícola via incorporação de novas áreas, a ênfase será dada ao Nordeste, especificamente ao semi-árido, através da fruticultura irrigada, e aos Cerrados (nordestino e do Centro-Oeste), com a produção de grãos e de carnes (avicultura, suinocultura e bovinocultura). Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que na safra do ano passado o Brasil colheu 45,94 milhões de hectares, dentro de um total cultivado de 48,91 milhões de hectares. E o Censo Agropecuário do IBGE de 1985, o mais recente, assinala que o país conta ainda com 24,65 milhões de hectares de terras produtivas não utilizadas. Este número considera o conceito de terras produtivas pertencentes a estabelecimentos agropecuários e não inclui, dessa forma, as áreas de matas e florestas. O Programa de Planejamento do BNDES para o setor agroindustrial leva em conta essas estatísticas e pretende utilizá-las no sentido do desenvolvimento integrado, com "a abertura de novas fronteiras apoiadas em financiamentos de infra-estrutura de transportes, energia, irrigação e armazenagem", segundo afirma Luiz Fernando Linck Dorneles, chefe de departamento do banco. Para tal, foi criado no âmbito do BNDES um grupo técnico para a formulação de projetos de infra-estrutura vinculados às novas fronteiras agrícolas priorizadas pelo banco. Os recursos liberados pelo BNDES na agroindústria atingiram, no primeiro semestre deste ano, o equivalente a US$415 milhões, representando dessa forma, o segmento de maior demanda no banco, que, até junho último, desembolsou um total de US$1,89 bilhão. Em 1993, o setor agroindustrial representou 23% do total dos financiamentos concedidos pelo banco (GM).