Durante um debate realizado ontem na 46a. Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Vitória (ES), especialistas defenderam a retomada dos investimentos em programas espaciais. Para eles, o Brasil precisa produzir não apenas seus próprios satélites, mas também foguetes capazes de levá-los ao espaço. Desde 1985 que os investimentos nessa área, identificados como de interesses militares, foram reduzidos. Os debatedores identificaram vários entraves nas pesquisas espaciais no Brasil. Um deles tem origem nos países do Primeiro Mundo, que recusam-se a vender aos brasileiros componentes e sistemas mais sofisticados. Isso deve-se ao receio de que o Brasil acabe exportando mísseis de maneira indiscriminada. Outro entrave é a desconfiança da sociedade brasileira em relação aos projetos espaciais, que deslancharam entre os anos 60/70, sob o controle dos militares. Embora fosse um programa essencialmente civil, era dirigido por militares, que nem sempre discutiam os objetivos. Ao discursar na 46a. Reunião Anual da SBPC, o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, prometeu que, se eleito, dobrará os investimentos em ciência e tecnologia, passando de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) para 1,6% (JC).