FABRICANTES DE CELULOSE DEVEM RETOMAR INVESTIMENTOS

O setor de celulose começa a retomar os estudos de expansão de suas atividades, que estavam engavetados em razão da queda de preços no mercado internacional. Estima-se que até 1996 poderão ser investidos cerca de US$4 bilhões, necessários para que a atual posição do país em nível mundial (oitavo lugar) seja mantida. O grande obstáculo para que essa decisão seja viabilizada, no entanto, são as atuais taxas de juro reais que tornam impraticáveis esses projetos. A conclusão é do seminário sobre a indústria de celulose, terminado no último dia 15 em Porto Algre (RS), onde ficou clara a preocupação dos empresários do setor com o aumento de competitividade dos concorrentes estrangeiros. Bóris Tabacov, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Celulose (Abecel), disse que o Brasil dispõe de matérias- primas, plantas competitivas e alta tecnologia, "não devendo nada a ninguém". No entanto, corre o risco de retroceder a sua capacidade de produção. No ano passado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reservou US$327 milhões para o setor de celulose, o que representou 10% dos desembolsos totais. Para este ano há uma previsão de aplicar US$300 milhões, mas existe, no momento, grande disponibilidade de recursos. O mercado de celulose está com seus preços em recuperação. Depois de atingir US$800 por tonelada em 1989, eles caíram para o seu mais baixo patamar, no início de 1993, chegando a US$350 por tonelada. Hoje eles estão em torno de US$600, com perspectivas de evolução, principalmente em consequ"ência da retomada do nível de atividade dos EUA (GM).