CORONEL DIZ QUE CHACINA FOI MASSACRE CONTRA NEGROS

A`s vésperas de o massacre dos menores da Candelária completar um ano, o coronel Jorge da Silva, subcomandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro (RJ) na época, acaba de lançar o livro "Direitos Civis e Relações Raciais no Brasil". Na obra, o militar diz que a chacina de garotos, ocorrida na madrugada de 23 de julho do ano passado, foi dirigida contra os negros. Considerado um estudioso da criminalidade, o coronel diz em seu livro que o massacre "trouxe à luz o escândalo que muitos teimavam em não reconhecer: a sociedade brasileira tenta resolver o problema das crianças e adolescentes de rua exterminando-os, sem contar os adultos eliminados". Lembrando o linchamento de quatro rapazes, em Olaria, zona norte do Rio, dias antes do massacre, o coronel acrescenta: "Dificilmente alguém leva em conta que os exterminadores são essencialmente negros, que os linchadores são negros, que as galeras dos arrastões são negras, que a polícia tem de subir o morro atrás de negros e que os mortos da Candelária eram negros". Segundo o militar, o crime da candelária também revela a omissão do poder público na questão do atendimento aos meninos e meninas de rua no estado. Ele lembra que, uma semana após o massacre, com organizações não-governamentais e intelectuais se digladiando sobre o impacto da chacina, "ninguém tentou questionar a sociedade civil e os poderes Executivo e Legislativo do município por terem feito letra morta dos artigos 131 a 137 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)". Esses artigos mandam criar, em cada município, um ou mais conselhos tutelares, órgãos encarregados de zelar pelo cumprimento dos direitos dos menores. Por incrível que pareça, ainda não foi instalado nenhum conselho tutelar
81242 no Rio, surpreende-se o coronel, lembrando que o ECA foi sancionado em 1990. Em relação à polêmica sobre o fato de a maioria dos menores mortos ser formada por negros, o militar é categórico: "Pelas nossas contas e pelo nosso critério, não resta dúvida de que os menores vítimas de extermínio no Rio de Janeiro são preponderantemente negros". Além de uma mentalidade extremista perpassar todas as classes sociais, o coronel diz que a polícia tem sido instada sempre a reprimir os negros nas favelas, como se estes fossem inimigos da Nação (O ESP).