Este país ficou rico à custa do nosso suor, e nunca nos pagaram o que é
81241 devido, diz Valena Conley, uma negra de 70 anos, ex-professora primária em Oakland. "É tempo de acertar as coisas", diz. Motivada por essas convicções. Conley moveu ação contra o governo dos EUA por ter escravizado seus antepassados, pedindo uma indenização de US$110 milhões. Segundo os especialistas, Conley tem poucas chances de sucesso. Mas, recorrendo aos tribunais, ela juntou sua voz ao crescente coro de negros que exigem reparação por 246 anos de servidão. O clamor por essa indenização ecoa nos EUA desde o fim da Guerra Civil (1861-1865), quando se acenou aos quatro milhões de escravos do país com promessas de "40 acres e uma mula", assim que libertos. As promessas não foram cumpridas, e subsequ"entes gerações de negros-- incluindo líderes como Marcus Garvey e Malcolm X-- sempre falaram em um dia cobrar a dívida. Apesar dessas profundas raíes históricas, o movimento continuou modesto e obscuro, desprezado pelos críticos que o chamam de descabido. Agora, porém, a campanha parece estar ganhando impulso, estimulada em parte pelo sucesso dos nipo-americanos que ganharam indenização por seu internamento em campos durante a Segunda Guerra Mundial. Para os reparacionistas, a pobreza, a desintegração da família, o crime e outros problemas da comunidade negra têm raízes na escravidão. Uma vez emancipados, esses homens libertos e paupérrimos tiveram de enfrentar o racismo, a falta de instrução e de habilidades básicas para a sobrevivência-- um frágil alicerce para construir um futuro próspero (JB).