Antes de ter à mesa um praco com cinco colheres de arroz, mais três de feijão, duas porções de batata cozida e 250 gramas de frango, o brasileiro precisa separar uma parcela para os governos federal e estadual. Serão pelo menos uma e meia colher de arroz, uma de feijão, meia porção de batata e 70g de grango que vão virar impostos. No Brasil, os impostos incidentes sobre a cesta básica de alimentos representam até 28,3% do seu custo para o consumidor final, segundo dados do Ministério da Fazenda. Só para avaliar a distorção, as comparações: a Inglaterra não cobra imposto sobre a comida; nos EUA, o imposto médio sobre o custo final dos alimentos é de 8% e, nos principais países europeus, de 5% a 7%. Convencida de que os impostos incidentes sobre a cesta básica oneram demais o bolso da população, a equipe do Ministério da Fazenda está propondo uma redução desta carga tributária. "Nossa proposta é que o custo final do imposto seja de 5%", afirma o assessor especial para preços do ministério, José Milton Dallari. A Associação Brasileira da Indústria de Alimentação (Abia), defende uma alíquota máxima de 8% para os alimentos. A alta incidência de impostos sobre a comida acaba prejudicando muito mais as famílias que ganham até dois salários-mínimos (cerca de R$130,00) e dispendem mais de 40% da sua renda comprando alimentos-- um trabalho do professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP) José Eli da Veiga, sobre o peso da alimentação no custo de vida mostra que as famílias com renda superior a R$2.000,00 gastam menos de 15% do que recebem mensalmente em alimentos. No mesmo estudo, Veiga lembra que desde 1983 os gastos com alimentação têm sido superiores à média do custo de vida medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). No ano passado, por exemplo, os gastos com alimentação subiram 11,4% além da inflação medida por aquele instituto (O ESP).