CRACK EXPÕE CRIANÇAS PAULISTAS A ASSASSINATOS

De cada dois menores assassinados em São Paulo, um é viciado em crack. A conclusão é de uma pesquisa realizada pela 1a. Delegacia da Criança e do Adolescente da Divisão de Homicídios da Polícia Civil. No total, foram analisados detalhadamente 150 inquéritos sobre mortes de menores na capital paulista, com levantamento das biografias das vítimas. Em 75 casos, as crianças e os adolescentes assassinados consumiam crack e tinham ligações com o tráfico. Segundo a delegada Elisabete Sato, a maior parte das vítimas tinha entre 14 e 17 anos. "Há um fator social preponderante nesses casos. São crianças e adolescentes pobres e que vivem em famílias problemáticas", afirma a delegada. A análise dos casos mostra o caminho seguido pelo viciado até ser assassinado por traficantes ou grupos de extermínio. Muitos são filhos de pais separados ou que trabalham fora. Na rua, acabam convencidos por amigos mais velhos a experimentar a droga. Depois de viciados, alguns acabam sendo usados na distribuição do crack ou no serviço de proteção aos traficantes. Em geral, acabam assassinados em "queimas de arquivo". Outros passam a roubar para sustentar o vício e são mortos por grupos de extermínio (O Globo).