AMORIM DEFENDE AUTENTICIDADE NA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA

O chanceler Celso Amorim é categórico: o Brasil não pede licença para tomar iniciativas como a de negociar a reintegração de Cuba no sistema interamericano, e exige de todos os países parceria moderna e respeitosa. Gestos como o dos EUA-- cuja representação em Brasília (DF) tem submetido brasileiros a humilhações na hora de conceder vistos-- provocam irritação no Itamaraty. Recentemente, um ex-chanceler e um funcionário do gabinete do ministro das Relações Exteriores tiveram dificuldade de conseguir visto para entrar, de passagem, em território norte-americano. Mas as preocupações do Itamaraty, no governo do presidente Itamar Franco e na gestão de Celso Amorim, não se limitam ao Primeiro Mundo. Ao contrário: no momento o Brasil, por sua exclusiva iniciativa, promove intensa negociação para acabar com o bloqueio econômico imposto contra Fidel Castro há mais de 30 anos. "Esta é uma política mais próxima da nossa realidade. Agora estamos estreitando relações com a África do Sul", afirmou Amorim. No governo Itamar, o Ministério das Relações Exteriores retomou a política de mostrar lá fora o que o Brasil realmente é-- uma política de autenticidade, na definição de Amorim. E isto está acontecendo depois que o ex-presidente Fernando Collor de Mello tentou, por decreto e por retórica, incluir o Brasil no bloco dos países desenvolvidos. "Ficou parecendo que não estamos entre os países desenvolvidos por causa do Itamaraty, e não por nossas condições sócio-econômicas", ironiza Amorim. O chanceler diz esperar que o próximo governo, seja qual for o presidente eleito, dê continuidade à política de integração dos países latino- americanos e dos países de língua portuguesa, e intensifique os contatos comerciais (O Globo).