O problema da fome e as propostas para acabar com a miséria no Brasil serão discutidos, de 27 a 30 próximos, em Brasília (DF), na 1a. Conferência Nacional de Segurança Alimentar, organizada pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA) e pela Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida. Será discutida a implantação de políticas globais envolvendo os governos federal, estaduais e municipais e a própria população, para enfrentar a miséria que atinge milhões de famílias no país. O principal tema será a política agrícola e sua função de alimentar a população. A questão foi discutida em todos os estados pelos Comitês Estaduais de Cidadania, nos dois últimos meses. Na conferência serão apresentadas as propostas discutidas nesses encontros. Segundo o sociólogo Ronaldo Coutinho, técnico do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) e um dos coordenadores da conferência, será necessária uma reorientação das políticas agrária, agrícola e de abastecimento. "A política agrária atual não tem conseguido conduzir o país a uma situação de segurança alimentar", analisa. Na conferência serão analisadas propostas de política alimentar que ofereçam condições para que se mantenha o atual índice de exportação de alimentos e um aumento na oferta interna. Coutinho afirma que exportação e abastecimento interno não são situações antagônicas. Na sua opinião, não se produz mais para o mercado interno, porque o consumidor não possui renda para o consumo. Estará em debate na conferência a necessidade de aumentar a eficiência e a competitividade da agricultura nacional, para garantir um decréscimo nos preços dos produtos. "Preços decrescentes são uma das condições para se ter ganhos reais de salários", afirmou Coutinho. A coordenação da conferência não vai se restringir à divulgação apenas aos governos. Os candidatos a presidente da República e os partidos políticos também receberão as conclusões finais. O CONSEA visa atingir os principais responsáveis pelas políticas de abastecimento e produção de alimentos e quer o envolvimento dos atuais e futuros governantes (JC).