PALMEIRA LIGA USINEIROS DE COLLOR A FHC

O candidato a vice-presidente na chapa do PSDB, senador Guilherme Palmeira (PFL-AL), garantiu a Fernando Henrique Cardoso o apoio dos mesmos usineiros alagoanos que ajudaram a financiar a candidatura de Fernando Collor de Mello à Presidência da República em 1989. Esses usineiros fornecem agora estrutura à campanha da FHC e Palmeira. Destinaram quatro aviões e um helicóptero para transportar políticos e jornalistas na visita de FHC a Delmiro Gouveia (sertão de Alagoas), em maio último. Segundo a legislação, esse tipo de doação é irregular se não for trocada por bônus eleitorais. Os aviões usados são da Lug Táxi Aéreo, de propriedade do usineiro e ex-senador João Lyra (sogro de Pedro Collor de Mello), e da Sotan, empresa que pertence a Carlos Lyra, irmão de João e também usineiro. Essas empresas emprestavam seus jatinhos para o então governador Fernando Collor iniciar sua campanha à Presidência, em 89. O usineiro João Tenório, presidente da Cooperativa dos Usineiros de Alagoas, se diz amigo de infância de Palmeira, mas justifica seu apoio a FHC com outro argumento. "O país está extremamente carente de uma pessoa inteligente. O Fernando Henrique pode promover inteligência ao governo", afirmou. O pai de Palmeira, senador Rui Palmeira, foi um dos maiores fornecedores de cana para usinas de Alagoas e fundou a Asplana (Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas). Os usineiros alagoanos são personagens controvertidos de escândalos financeiros. Foram personagens constantes na CPI que culminou com o Impeachmente" do ex-presidente Collor. Depois de travarem uma batalha política e jurídica com Collor, no início do governo alagoano, em 1987, os usineiros fecharam dois acordos com o então governador. Pelos acordos, o estado se comprometia a devolver US$105 milhões em créditos de ICM (Imposto sobre Circulação de Mercadorias), num período de 10 anos. Esses acordos levaram o estado a perder cerca de 54% da sua fonte de arrecadação. O candidato de Guilherme Palmeira ao governo alagoano, senador Divaldo Suruagy (PMDB), já negocia com o setor um terceiro acordo (FSP).