O Estado brasileiro, já apelidado de "elefante" por seu gigantismo e sua lentidão, pode se tornar o mais incômodo inimigo do candidato eleito à Presidência da República. Para Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, o Estado não pode continuar Irresponsavelmente servil aos interesses dos grandes grupos econômicos". Segundo ele, "o Estado foi incompetente em gerar bem-estar para o povo". Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, promete, se eleito, propor nova revisão constitucional em 1995 para que o país saia do "estatismo envergonhado". Para ele, "o Estado deve ser desvinculado dos interesses corporativos". Orestes Quércia, do PMDB, quer o Estado indutor de uma economia voltada para a produção. Segundo ele, "a atual crise está ligada a um Estado oneroso e emperrado. E Leonel Brizola, do PDT, afirma que na ditadura de Getúlio Vargas o Estado tinha "altos índices de eficiência", e quer a máquina do governo no encalço dos aventureiros com interesses internacionais, pois "a nação não é a casa da sogra". Para Esperidião Amin, do PPR, "o Estado é o gerador da crise e ao mesmo tempo sua maior vítima". "Só um Estado intervencionista e forte pode levar à estabilização", diz o candidato do Prona, Enéas Carneiro. Enquanto Flávio Rocha, do PL, diz que "o Estado faliu por assumir ações que caberiam aos empresários". Com um orçamento de US$98 bilhões para este ano, o Estado brasileiro, que já acumula dívidas interna e externa da ordem de US$147,9 bilhões, deverá gastar US$24 bilhões com a folha de pagamento dos servidores e outros US$25 bilhões com a folha das 149 estatais que empregam 605 mil funcionários. Das 149 empresas, 113 são do setor produtivo, 18 têm atividade típica de governo e outras 18 atuam no setor financeiro. Mas esse cenário de números enormes-- um dos males da elefantíase da administração-- não termina aí. A chamada administração direta abriga 1,2 milhão de servidores civis, 600 mil militares, pouco mais de 100 mil no Judiciário e quase 15 mil no Legislativo. Desde a Constituição de 1988, os burocratas passaram a ter mais um pretexto para justificar os problemas da ineficiência estatal: estados e municípios foram brindados com uma maior participação nas receitas da União. Ganharam duplamente. Os constituintes transferiram recursos mas não as atribuições correspondentes. A morte da revisão constitucional-- uma tentativa frustrada de iniciar a reordenação do Estado brasileiro-- não sepultou a discussão sobre as dimensões da máquina administrativa e sua inevitável reformulação, que renasce na campanha eleitoral (JB).