EMPRESA RESGATA MISSÃO FILANTRÓPICA

Empresas brasileiras estão descobrindo que a palavra filantropia não significa apenas dar esmolas periodicamente a algumas entidades sociais. Também estão se conscientizando do fato de que a caridade deve ficar distante dos planos de marketing de seus produtos e não ser confundida com promoções. O que motivou esse comportamento foi a decisão de empresários e executivos de não fazer mais vistas grossas às necessidades de comunidades carentes ou esperar que a solução parta do governo. Há três anos foi criado o Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), que hoje congrega cerca de 40 organizações interessadas em praticar a filantropia sem recair no modelo paternalista. O grupo, que ainda tem caráter informal, movimenta cerca de US$100 milhões/ano na chamada "filantropia profissional" ou "terceiro setor"-- o primeiro é o Estado e o segundo, a iniciativa privada. A estratégia do grupo é consolidar parcerias com entidades que se proponham a repensar sua gestão interna e o atendimento a seu cliente-- seja a criança, o idoso ou famílias carentes. O Instituto C&A, um dos fundadores da Gife, atua nessa linha e investe US$2 milhões/ano em 46 cidades onde há lojas da rede. O instituto mantém parcerias com oito creches com 1.500 crianças. A prioridade é reciclar os 250 funcionários dessas entidades. "Acreditamos que o treinamento é mais importante que a reforma de um telhado", afirma Antônio Carlos Martinelli, diretor do Instituto C&A. A profissionalização de crianças carentes e até de rua merece atenção especial por parte do Instituto C&A e de outras empresas. A empreiteira OAS vem atuando há um ano como parceira do Projeto Axé, com a missão de capacitar para o trabalho crianças abandonadas de Salvador (BA). A ação filantrópica invariavelmente resulta na melhoria da imagem da empresa, tanto na região onde está instalada quanto entre funcionários, fornecedores, clientes e concorrentes. "A empresa tem que assumir suas responsabilidades sociais", diz Michael Paul Zeitlin, diretor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). No Instituto C&A, há 350 funcionários voluntários, responsáveis por visitas, planejamento e acompanhamento de programas. Na OAS, profissionais de recursos humanos se envolveram na orientação dos operários, que inicialmente rejeitaram ex-meninos de rua contratados pela empresa (FSP).