Onze anos depois de ter seu trabalho praticamente restrito às delegacias, a Polícia Civil vai voltar às ruas no próximo dia 18 para ajudar a Polícia Militar a fazer o patrulhamento ostensivo da cidade do Rio de Janeiro (RJ). A novidade foi anunciada ontem pelo secretário estadual de Polícia Civil, Mário Covas, durante uma reunião realizada na Secretaria de Justiça com representantes do Movimento Viva Rio, que cobraram medidas rápidas para diminuir os índices de criminalidade. Covas informou que, para enfrentar os bandidos em condições de igualdade, a polícia vai receber ajuda do Exército, que já confirmou o empréstimo de 50 fuzis automáticos leves (FALs). A Polícia Civil, segundo o secretário, voltará a fazer patrulhamento das ruas e atuará em conjunto com a PM nas incursões nas favelas. Além de fuzis do Exército, os policiais civis receberão nos próximos dias pistolas calibre 45 e 9 milímetros, que substituirão gradativamente os antigos revólveres 38. O coordenador do Viva Rio, Rubem César Fernandes, exortou os cariocas a darem um basta à criminalidade. Favorável ao desarmamento da cidade, ele lamentou a redução de verbas para a segurança pública e sugeriu que a polícia se aproxime das comunidades para que os cidadãos voltem a ter confiança nos policiais. A seguir, as propostas do Movimento Viva Rio: 1) Integração das polícias Civil, Militar e Federal com as guardas municipal e particulares; 2) Desarmamento e posterior policiamento ostensivo dos morros e favelas, a exemplo do que é feito nos bairros; e 3) A polícia deve ampliar e intensificar a segurança em pontos turísticos a fim de evitar a fuga dos visitantes. O secretário estadual de Justiça, Arthur Lavigne, atribuiu a violência no Rio ao comércio de drogas e de armas contrabandeadas, delitos que devem ser combatidos pela União. Segundo ele, as Forças Armadas e a Polícia Federal é que devem reprimir os dois crimes. Segundo o secretário, a violência na cidade pode ser dividida em dois grupos: aquela que tem como vítimas os cidadãos comuns, como assaltos a prédios, no trânsito e a carros-fortes; e a relacionada à disputa do tráfico de drogas. "No primeiro caso, o Rio está dentro dos parâmetros de todas as outras grandes cidades do Brasil e até do mundo. O segundo caso é grave e serve como pano de fundo para o pânico", afirmou (O Globo) (JB).