EXPORTAÇÃO CLANDESTINA DE MADEIRA

A capital da madeira em tora está mudando de lugar no mapa da Amazônia. Depois de São Félix do Xingu, no Sul do Pará, onde as reservas de madeira foram à exaustão, agora quem começa a ocupar a posição de destaque é a cidade de Carauari, no Vale do Juruá (AM), para onde se mudaram algumas das principais madeireiras que operavam no Estado do Pará. O IBAMA no Amazonas garante que Carauari concentra o maior número de planos de manejo sustentáveis (PMS)-- 15 ao todo. O PMS é a licença que permite o corte da madeira. A prefeitura de Carauari sustenta, por sua vez, que saíram no ano passado do município pelo menos 240 mil metros cúbicos de madeira, quase a metade da produção do estado em um ano. "O número pode ser muito maior porque não existe controle sobre este setor na região", assegura o prefeito Bruno Littaif (PSDB). Há indícios de sobra de que as madeireiras exportam muito mais do que declaram na Exatoria de Renda em Carauari. A denúncia já foi feita pelo vereador Antônio Risomar de Oliveira (PSDB), baseada na informação divulgada pelo madeireiro Raimundo Gomes Lobo, num jornal de Manaus, de que exportara 120 mil metros de madeira no ano passado. Segundo o vereador, na Exatoria de Renda da cidade, o madeireiro "manifestou" apenas 30 mil metros cúbicos de madeira. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Carauari, José Pereira do Nascimento, afirma que o município virou da noite para o dia um paraíso do contrabando. "Há mesmo muita madeira saindo ilegalmente todos os dias de Carauari", disse. O sindicalista afirma que as madeireiras têm autorização para cortar madeira em poucos locais pré-selecionados e diminutos territorialmente (JB).