CAMPANHA DE PALMEIRA TEVE AJUDA DE PC FARIAS

O senador Guilherme Palmeira (PFL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), recebeu indiretamente ajuda financeira de Paulo César Farias, o PC, durante a campanha eleitoral de 1990. A ajuda ao então candidato ao Senado Federal foi feita por intermédio de uma conta bancária de um dos "fantasmas" criados por PC. A conta, aberta em nome de Alberto Alves Miranda, movimentou exclusivamente recursos destinados às campanhas de políticos aliados ao ex-presidente Fernando Collor de Mello nas eleições de 90. Em Alagoas, PC repassava os recursos para Geraldo Bulhões (PSC), candidato a governador e responsável pela coligação eleitoral da qual fazia parte Guilherme Palmeira. Segundo as informações, Bulhões centralizava o recebimento do dinheiro e repassava ao comitê de Palmeira. Distribuía também com alguns candidatos à Câmara dos Deputados. Em seu depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 21 de junho de 1993, PC relata o repasse de recursos para Bulhões. O objetivo em Alagoas era derrotar o ex-deputado Renan Calheiros, então candidato ao governo do estado pelo PRN. Renan hoje está no PSDB e apóia Fernando Henrique. A família Farias declarou recentemente o seu apoio em Alagoas à chapa encabeçada por FHC com Palmeira como vice. O "fantasma" Miranda tinha conta no BMC de São Paulo. Além da chapa Bulhões/Palmeira em Alagoas, PC financiou outros candidatos que interessavam politicamente ao Palácio do Planalto. Quem assinava os cheques pelo "fantasma" era Rosinete Melanias, secretária das empresas de PC em São Paulo. Essa conta deve ter movimentado, segundo o ex-tesoureiro da campanha de Collor, US$78 milhões somente com os candidatos nas eleições de 1990 (FSP).