Uma semana após o presidente da Argentina, Carlos Menem, ter criticado o baixo salário-mínimo brasileiro, o presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), dom Mauro Morelli, enviou carta ao presidente Itamar Franco cobrando a promessa de aumento dos atuais US$64,79 para US$100, no menor prazo possível. "A elevação do salário-mínimo é uma exigência inadiável de justiça", diz dom Mauro em sua correspondência, após apontar soluções como combate à sonegação fiscal e redução das rais taxas de juros, para evitar o déficit da Previdência, considerado pela área econômica como principal empecilho para que tal reajuste seja concedido. Segundo dom Mauro, no mês de junho o custo da cesta básica calculada pelo Procon/DIEESE em São Paulo foi de R$100,00, enquanto que o salário-mínimo não ultrapassava R$64,79. Compara ainda que, nos últimos 10 anos, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 31,4% e o PIB per capita 8,6%, o salário-mínimo acumulou prejuízo de 29,5%. A elevação do salário-mínimo, prosseguiu ele, beneficiaria 3,1 milhões de trabalhadores assalariados e 11 milhões de aposentados e pensionistas. Em resposta, o presidente Itamar Franco afirmou que "não é possível, no momento, elevar o salário-mínimo ao nível necessário". Segundo o presidente, "com o saneamento da moeda e o equilíbrio do mercado, poderá o governo realizar uma política salarial justa" (JC) (O Globo).