Um estudo da chancelaria argentina informou que que a maioria dos produtos da indústria nacional perderá 50% de sua proteção quando for concretizada a união alfandegária do MERCOSUL no dia 1o. de janeiro de 1995. O estudo, divulgado ontem pelo diário "Página 12", foi editado por Jorge Campbell, secretário de Relações Econômicas Internacionais da chancelaria. Para ele, a adoção da tarifa externa comum do MERCOSUL implicaria uma significativa redução da proteção em alguns setores
81175 produtivos, especialmente os que têm limitações para competir no
81175 exterior. A tarifa externa comum já definida é inferior ao nível atual de proteção de setores industriais em "pouco mais que a metade dos itens" da nomenclatura, segundo o informe, intitulado "Zona de livre comércio vs. união alfandegária no MERCOSUL: custos e benefícios". Especificamente, dos 8.753 itens totais da listagem comum, a proteção diminui para a Argentina em 4.771 casos, conserva seu nível atual em 503 e aumenta em 715. Nas 2.764 restantes, a tarifa externa ainda não foi definida, pois correspondem a produtos químicos, bens de capital e material de transporte, itens em relação aos quais Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai têm posições discrepantes. Segundo Campbell, "as diminuições afetam, em sua maioria, a indústria têxtil e suas manufaturas, os metais comuns, produtos químicos, pasta de madeira e papel". O secretário advertiu que, a partir de 1995, "a indústria argentina enfrentará um grau de proteção bastante inferior ao atualmente vigente", que acrescenta às tarifas alfandegárias a chamada taxa de estatística, um imposto pára-alfandegário. Campbell disse que a indústria argentina enfrenta problemas de competitividade que obrigaram o governo a recorrer a medidas de salvaguarda. Nesse sentido, afirmou que a união alfandegária implicaria o aguçamento do impacto da competição externa sobre o
81175 desempenho da indústria argentina (JC).