MISSÃO DA ONU DENUNCIA ATROCIDADES

Centenas de assassinatos, sequ"estros, prisões ilegais, violações sexuais e ataques a crianças constam de um relatório liberado pelos membros da missão conjunda da ONU e da OEA que foram ao Haiti verificar denúncias sobre abusos cometidos contra os direitos humanos. Expulsos do país pela junta militar chefiada pelo tenente-general Raoul Cedras, pelo brigadeiro- general Philippe Biamby e pelo tenente-coronel Michel François, chefe da polícia de Porto Príncipe, 104 observadores da ONU e da OEA começam a deixar o Haiti hoje, e sua primeira escala será a ilha de Guadalupe, colônia francesa nas Antilhas. Em visita à Alemanha, o presidente dos EUA, Bill Clinton, disse que a expulsão da missão conjunta é "um sinal de desespero" do regime militar haitiano. "Espero que esse gesto leve a comunidade internacional a apoiar medidas como o congelamento dos ativos financeiros que os militares e seus partidários têm no exterior", disse. Clinton não se pronunciou a favor de uma invasão do Haiti. A junta militar haitiana, por sua vez, ameaçou punir quem apoiar a invasão do país. Em apenas cinco meses de investigação, os monitores internacionais contabilizaram 340 assassinatos perpetrados por forças militares, 131 sequ"estros e centenas de prisões ilegais. Em 74 casos de violação sexual, 52 tiveram motivação política. Houve 51 ataques a crianças, 23 das quais morreram. Como na guerra da Bósnia, a violação de mulheres transformou-se em arma política. Algumas das vítimas têm apenas 10 anos de idade. Segundo Eric Falt, porta-voz da ONU e membro da missão conjunta, um grande número de cadáveres aparece, diariamente, nas ruas, com
81142 horríveis e grotescas mutilações (JB).