JULIÃO CRITICA OCUPAÇÕES DE TERRA E TEME RADICALIZAÇÃO

A ação das Pastorais da Terra foi criticada ontem pelo criador das Ligas Camponesas, Francisco Julião, de 79 anos. Para ele, as pastorais incentivam os sem-terra a ocuparem propriedades particulares. As pastorais- - setores da Igreja Católica seguidores da Teologia da Libertação-- são, segundo Julião, adeptas do PT. De acordo com o ex-líder camponês, esse fato é perigoso e enfraquece o movimento dos trabalhadores rurais. Julião lembra que o cerne do sistema capitalista é a defesa da propriedade. Entrar em confronto com essa realidade, para ele, "significa travar uma guerra de foices contra canhões". "Se não houver moderação da Pastoral e ela não passar a agir de maneira legalista, o que vemos hoje pode resultar em violência armada de gandes proporções", alertou Julião. Ele considera que "a postura sectária do PT", influenciando setores da Igreja e camponeses, só agrava o conflito. Fazer reforma agrária no Brasil, segundo Julião, é mais simples do que parece: "Só falta vontade política, porque mecanismos legais já temos. O INCRA marcha como um cágado, quando poderia saltar como um veado", compara (JB).