Menores de 21 anos são responsáveis por mais da metade dos assassinatos cometidos da Grande São Paulo nos últimos seis meses. É o que mostra estudo feito pela Secretaria de Segurança Pública do estado. Segundo o relatório, 60% das vítimas têm menos de 25 anos. Nos últimos dois anos, a faixa etária das vítimas e matadores estava entre 29 e 40 anos de idade. Segundo o estudo, os homicídios cresceram 25% nos últimos seis meses na Grande São Paulo. Outro dossiê, elaborado pela Polícia Militar de São Paulo, revela que a nova onda de homicídios na cidade já está batendo recordes históricos. Entre 1991 e 1992, os homicídios dolosos (com intenção) tinham uma média entre 340 e 460 casos por mês. Do fim de 1993 para cá, os casos beiraram a casa dos 500 por mês e, em abril último, chegaram a 600. A média do mês de junho e parte de julho é de 19 pessoas mortas por dia. As armas de fogo são empregadas em 82% dessas mortes e, desses casos, 80% das vítimas são homens e 10%, mulheres. Outra novidade das estatísticas oficiais é uma mudança brusca na curva de mortes praticadas pela PM. Entre 1991 e 1992, PMs mataram uma média de 80 pessoas por mês-- um processo cujo clímax ocorreu em maio de 1992-- com 139 mortos. Em 1994, as mortes da PM caíram para 20 casos por mês, ainda segundo os números oficiais. O responsável pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), Paulo Sérgio Pinheiro, diz que o fato de jovens praticarem maior parte de crimes não o espanta. "É um fato que vem ocorrendo na Europa e nos EUA. São as diferenças sociais que causam o problema", disse. O professor diz, no entanto, que fica espantado com o fato de os jovens serem as vítimas. "Precisamos apurar o porquê disso. Pode ser obra de justiceiros", afirma. Ele diz que o aumento dos homicídios se deve a quatro fatores: impunidade, falta de condições de sobrevivência de grande parte da população, falta de política governamental de combate ao crime organizado e aumento da circulação de armas na cidade (FSP).