O Brasil deve exportar US$1 bilhão a menos em 1994, pela queda de receitas financeiras e valorização do real face ao dólar norte-americano, estima o diretor do Departamento de Assuntos Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Laerte Setúbal. Ele propôs ao ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, que os exportadores mantenham suas operações de Antecipação de Contratos de Câmbio. "A maior preocupação dos exportadores é o aumento do custo", diz. O presidente da distribuidora de aço Rio Negro, Carlos Loureiro, estima que o ganho com o financiamento por ACCs era da ordem de 5% em 90 dias (ou 20% ao ano). O exportador tomava o dinheiro pagando 10% ao ano mais desvalorização cambial, convertida em moeda local e reaplicava a juros de 24% a 36% ao ano. Como deviam em dólar, as empresas mais conservadoras também aplicavam em dólar (export-notes). "Nesse caso, poderão ter prejuízo financeiro adicional de 3% na hora de liquidar a operação se o dólar continuar desvalorizado de 8% em relação ao real", diz Loureiro. Ele prevê que, dentro de 45 a 60 dias, os exportadores "ponham a boca no trombone" (JC).