VIOLÊNCIA CAUSA PÂNICO GENERALIZADO

Sociólogos, antropólogos, cientistas políticos e criminalistas são unânimes em afirmar: a violência no Rio de Janeiro (RJ) passou a gerar pânico. "O medo passou a funcionar como um elemento de situação. A` medida que são divulgadas notícias sobre a violência, aumenta o medo e a imagem negativa do Rio", diz a socióloga Alba Zaluar, especialista em pesquisas sobre o tema. Os intelectuais cariocas sabem que, no fundo, o crescimento da violência tem como origem a crise econômica pela qual passa o país, aumentando a desigualdade social. A polícia também recebeu duras críticas dos especialistas que a definiram como corrupta e ineficiente. Quanto a forma de se reduzir a violência, as opiniões são divergentes. Para o sociólogo urbano e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Subrasil Pinto Rodrigues, que faz um trabalho sobre o banditismo, a solução pode estar na mobilização de pessoas de várias camadas sociais. É possível se resolver o problema da violência urbana com a
81115 participação de todos. Uma das coordenadoras do movimento Viva Rio, a antropóloga e pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (ISER), Bárbara Musumeci, também defende a mobilização. Entre as críticas contra a ação da polícia, a socióloga Alba Zaluar foi a mais incisiva: "A polícia precisa ser menos opressora nas favelas e bairros pobres. Não adianta nada entrar numa casa quebrar geladeira e achacar pobres coitados. Isso só gera mais violência". Ela também apontou a Justiça como corrupta e lenta. Em defesa da Justiça, o criminalista Evandro Lins e Silva assegura que o problema não está nela. "O caldo de cultura da criminalidade é a falta de emprego, a fome e a miséria. Portanto, para corrigir esse problema não é o Direito Penal que vai fazê-lo, não é a punição e nem a severidade das sanções. Cadeia não é solução e, sim, uma jaula reprodutora de criminosos. A solução está numa política social que elimine os desajustes entre as diversas categorias sociais", opinou Evandro (JB).