Na cúpula do Banco do Brasil, é crescente a preocupação com as medidas do governo: há um mês, um decreto ministerial autorizou a Caixa Econômica Federal a realizar operações típicas de banco comercial, como o BB; com a Medida Provisória do real (no. 542), o banco foi excluído do Conselho Monetário Nacional e na última hora foi retirado um artigo que excluia o BB da lista de empresas privatizáveis através do Fundo Nacional de Amortização da Dívida Pública. O lobby do BB contra a possível privatização já começou, através da associação de funcionários e sindicatos de bancários. A expectativa é de que algum dos oito parlamentares ex-funcionários da instituição apresente emenda à MP retirando o BB da lista de estatais que poderão ser absorvidas pelo Fundo de Amortização. O presidente do BB, Alcyr Calliari, também já iniciou seu lobby. Ontem, na Comissão Especial que analisa a MP, disse que a criação do fundo pode abrir caminho para a privatização do banco. Segundo ele, a regulamentação do artigo 192 da Constituição revogará a única lei que obriga a União a manter o controle acionário do BB, a Lei 4.595. Se essa regulamentação não trouxer uma referência explícita ao BB, ele "entra na lista das empresas privatizáveis", disse Calliari (JB).