MERCOSUL: PT QUER REVER OS PRAZOS

Caso vença as eleições presidenciais de outubro, o Partido dos Trabalhadores (PT) vai propor aos demais países que integram o MERCOSUL a revisão de todos os seus prazos de implementação. Vai ainda utilizar, em alguns casos, medidas compensatórias para proteger alguns setores da redução tarifária, principalmente a agricultura. Para nós o MERCOSUL é um compromisso do governo Lula mas não pode se
81092 limitar a uma área de livre comércio, vamos sugerir uma extensão e uma
81092 redefinição de suas prioridades, disse o coordenador do programa de governo do PT, Marco Aurélio Garcia. "É preciso estabelecer uma política comum na área industrial e agrícola, com o estabelecimento de medidas internas que evitem o sucateamento das produções nacionais dos países", afirmou Rui Falcão, presidente nacional do PT. O candidato Fernando Henrique Cardoso (PSDB) observou que "a data de entrada em vigor de uma zona de livre comércio e de uma união aduaneira é um fato irreversível". Na opinião do candidato Leonel Brizola (PDT), os prazos já negociados no MERCOSUL não devem ser alterados. Empresários afirmaram que até o momento incidentes diplomáticos não prejudicaram os negócios. Alguns vêem, no entanto, "sementes de preocupação" nas declarações do ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, de que, caso o PT vença as eleições, o Brasil deve entrar em um processo de instabilidade econômica, levando a uma paralisação no processo de integração do MERCOSUL e à saída da Argentina desse mercado comum. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) poderá questionar o MERCOSUL caso os direitos sociais não sejam respeitados nem a sustentação de empregos seja garantida. "A CUT não é contra a abertura de mercado, desde que sejam respeitados esses pontos", afirmou o representante da central sindical, Rafael Freire Neto (GM).