PLANTIO DIRETO GANHA ADEPTOS NO RIO GRANDE DO SUL

Cerca de 15% da área cultivada com grãos no Rio Grande do Sul já é trabalhada pelo sistema de plantio direto na palha, uma opção auto- sustentada e preservacionista de agricultura. Nesse sistema, os restos vegetais das culturas são deixados sobre o solo, protegendo-o contra a chuva e incorporando-se como nutriente, e a terra somente é trabalhada no momento do plantio da cultura seguinte, na dimensão exata para a inserção da semente, calcário e do fertilizante. O ciclo se repete a cada cultura, evitando a erosão e alterando positivamente a microbiologia e a fertilidade do solo. O agricultor Ulfried Arns, de Cruz Alta (RS), é um entusiasta e cultiva 1,6 mil hectares em plantio direto. Sua propriedade, segundo os técnicos, está no estágio 10 da técnica, o nível máximo que se pode atingir no planejamento de produção e preservação do solo. No verão, Arns semeia metade da propriedade com soja e outra metade com milho. No inverno, divide os campos por três, plantando aveia, azevém, tremoço, ervilhaca, trigo e ervilha forrageira. Essas culturas, além de criar condições favoráveis de fertilidade do solo para a soja e o milho, produzem muito volume vegetal que em parte é consumido por 300 cabeças de gado engordadas por Arns, anualmente, enquanto o restante é deixado sobre o solo, para protegê-lo. O produtor abandonou o plantio convencional em 1987 e vem alcançando níveis crescentes de produtividade. No último verão, ele colheu três mil quilos de soja e seis mil quilos de milho por hectare, cerca de 60% acima da produtividade média do estado (GM).