EMENDAS DO PT CONTRARIAM DISCURSO OFICIAL

O PT teve pelo menos um bom motivo para perdoar, na semana passada, o senador José Paulo Bisol (PSB-RS): assim como o candidato a vice do petista Luiz Inácio Lula da Silva 26 dos 36 integrantes da bancada do PT na Câmara dos Deputados apresentaram emendas individuais ao Orçamento Geral da União deste ano. Além de ter desconsiderado as recomendações da CPI do Orçamento, quase todos assinaram 25 propostas de aplicação de verbas federais-- número máximo permitido pelo Congresso Nacional. Antes avesso à partilha do Orçamento no Congresso, desta vez o PT aceitou as regras do jogo. Em maio, uma reunião de bancada proibiu os petistas de fazer emendas com o argumento de que o Legislativo não adotara os novos métodos de preparação do Orçamento sugeridos pela CPI. A decisão, que chegou a ser publicada em informativos internos, foi revogada pouco dias depois. "A pressão dos prefeitos e dos movimentos populares fez a bancada voltar atrás", explicou José Genoíno (SP), um dos oito parlamentares que se manteve contrário à apresentação de emendas. Além de se integrar à disputa pelos recursos federais, o PT, defensor da inclusão de "programas sociais nacionais" no Orçamento reproduziu em suas emendas o fisiologismo que sempre denunciou em seus adversários. O líder do partido na Câmara, José Fortunati (RS), por exemplo, apresentou 25 emendas para municípios gaúchos, cujo valor total ultrapassa US$23 milhões. Por decisão do partido, cada parlamentar colocou 10 de suas 25 emendas à disposição dos prefeitos petistas. Como 27 deputados utilizaram sua cota, pelo menos 270 emendas foram rateadas entre os 46 municípios administrados pelo PT. Essas emendas, assinadas em branco pelos deputados, foram preenchidas pela assessoria da liderança do PT na Câmara (O ESP).