O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, declarou ontem em Havana que o Brasil apóia a reintegração de Cuba ao sistema interamericano. Cuba foi talvez o país latino-americano que mais sofreu as
81075 consequências da Guerra Fria e achamos que a política a ser adotada em relação a ela não deve ser a de isolamento, mas a da mão estendida", disse ele. O chanceler brasileiro, que encerrou uma visita de três dias ao país, disse que Fidel Castro agradeceu a Itamar Franco as manifestações de apoio a seu país. "O Brasil quer substituir a estática da confrontação pela dinâmica do diálogo", disse ele. Amorim criticou o embargo dos EUA a Cuba. Ele informou ainda que suas conversações com Fidel Castro incluíram a possibilidade de Cuba assinar o Tratado de Tlatelolco, contra proliferação de armas nucleares, de 1967. O governo cubano anunciou também o convite ao representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos, o equatoriano José Ayalla Lasso, a visitar o país. O chanceler brasileiro viu com entusiasmo a iniciativa do governo de Cuba: "Estamos muito contentes porque isso abre consideravelmente o diálogo de Cuba com a comunidade internacional nesta área", disse. Ressalvando ser esta uma decisão soberana daquele país, Celso Amorim não escondeu sua satisfação com a coincidência de o presidente Fidel anunciar o convite durante sua visita a Havana: Interpreto como uma homenagem ao Brasil. Afinal, além de o Brasil ter tido participação fundamental na criação do cargo do Alto Comissariado (estabelecido em junho de 1993 em Viena), o país tem tradicionalmente se abstido de votar em resoluções nas Nações Unidas condenatórias a Cuba, patrocinadas pelos EUA, que a acusam de violação de direitos humanos. Quanto à cooperação bilateral, o ministro brasileiro volta otimista com o processo de abertura da economia cubana e as novas oportunidades de negócios. "Seguindo o exemplo de empresas canadenses e francesas, devemos aproveitar mais este mercado", disse Amorim, que se encontrou também com representantes de empresas brasileiras atuantes em Cuba, como a Andrade Gutierrez (está explorando petróleo) e a Iochpe (máquinas agrícolas) (FSP) (JB).