GRANDES CIDADES DEVEM PERDER POPULAÇÃO

Faltam exatos dois mil dias para o ano 2000. Nesse período, o mundo vai assistir ao fenômeno da "desmetropolização", ou seja, a tendência desta década será a desconcentração populacional das metrópoles. Em alguns casos, espera-se crescimento negativo nas grandes cidades. Uma das razões para a guinada na expectativa de crescimento, na opinião de Elza Berquó, diretora do Nepo (Núcleo de Estudos da População da UNICAMP), é a busca maciça, por parte de habitantes dos grandes centros urbanos, de uma qualidade de vida melhor da que oferecem as metrópoles. Segundo ela, haverá a fixação das pessoas em cidades medianas que se transformarão em pólos de referência, menores e com menos problemas que as megacidades. Algo parecido com o que está acontecendo em Campinas e Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, que oferecem vida cultural e infra-estrutura de serviços parecida com a das grandes cidades, sem, no entanto, estarem saturadas. Essa mudança na concentração populacional estará ocorrendo ao mesmo tempo em que outra tendência for se cristalizando: uma distribuição de renda mais harmônica e mais equitativa. "O sonho de que as soluções para todos os problemas estão nos grandes centros está no fim. E isso é uma boa notícia. Deve-se comemorar", diz Berquó. Números da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) mostram que a cidade de São Paulo, por exemplo, cresce menos a cada década. Nos anos 60/70, a cidade tinha sua população aumentada anualmente na razão de 4,92%. Nos anos 70/80, o crescimento diminuiu para 3,67%. De 1980 a 1991, o crescimento anual chegou a 1,15%. Até o ano 2000 não deve sair deste patamar. Um relatório produzido pela ONU (Organização das Nações Unidas), porém, projeta que em 2010 a cidade de São Paulo será a segunda maior do mundo, perdendo apenas para Tóquio e na frente de Bombaim, Xangai, Lagos, Cidade do México, Beijing, Dacar, Nova Iorque e Jacarta, nessa ordem. O relatório da ONU mostra uma São Paulo caótica no ano 2000, com 25 milhões de habitantes. Estudos da Fundação Seade projetam uma cidade parecida com o que é hoje, com 10,7 milhões de habitantes. De acordo com dados do Nepo, a taxa atual de fecundidade no Brasil é de 2,5 filhos por mulher. Em 1980, era de 4,5 filhos por mulher. Até na região Nordeste, onde essa taxa chegou, em 1980, a seis filhos por mulher, atualmente já baixou para 3,7. Hoje vivem no Brasil 152 milhões de pessoas. Em 2000, serão 179 milhões de habitantes (FSP).