Palhaçadas e malabarismos estão tirando das ruas crianças abandonados na capital mineira. A magia do circo foi o caminho encontrado pelo Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua (MNMMR) para fazer com que cerca de 80 crianças, muitas delas ex-integrantes de gangues, trocassem os assaltos e as drogas pelas brincadeiras no picadeiro. O projeto "O Circo de Todo Mundo", ou Escola Comunitária de Artes Circenses, começou em fevereiro, com meninos de sete a 18 anos que perambulavam pelas ruas de Belo Horizonte. Eles foram alojados em duas casas mantidas pelo MNMMR e passaram a aprender técnicas de equilíbrio, acrobacia, malabarismo, pirotecnia e palhaçada. Com nove educadores, os menores têm aulas de teatro, aprendem a andar na corda bamba, perna de pau e monociclo e a dar cambalhotas e saltos. Aprendem também a fazer malabarismo com bolas, craves e argolas, a cuspir e engolir fogo e a jogar capoeira. Tudo isso para tirá-los da marginalidade e integrá-los à sociedade. "Através do sonho e da fantasia que o circo representa, vamos discutir com estes meninos um novo projeto de vida para eles mesmos", diz a articuladora estadual do MNMMR, Vera Lúcia Anastácio. O projeto do "Circo de Todo Mundo" é integrado a outras atividades para os menores, além da escola. Os pequenos artistas aprendem técnicas circenses num período e trabalham no outro, em oficinas mantidas pela MNMMR. São oficinas de costura, cerâmica, bijuterias, pintura em camisetas e bonecos, cujo resultado final será usado no próprio espetáculo. Os bonecos são feitos de sucata, pedaços de madeira, copos de plástico e todo material que possa ser reaproveitado. A` noite, é hora de os menores estudarem, em escolas públicas. O dinheiro obtido com a venda do material produzido nas oficinas em parte para a reposição do estoque. O restante é embolsado pelos menores, que têm assim um incentivo a mais para trabalhar. O projeto vem recebendo apoio do UNICEF, da prefeitura de Belo Horizonte, do América Futebol Clube e do Fundo Cristão para as Crianças (O Globo).