Na primeira eleição presidencial depois da CPI que estorou o esquema de financiamento ilegal de campanhas e resultou na destituição do ex- presidente Fernando Collor de Mello e na prisão de Paulo César Farias, seu tesoureiro, a maioria das empresas rejeita o bônus criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para moralizar as contribuições para candidatos. A rejeição ocorreu por dois motivos. Primeiro, surgiram boatos de que o bônus estava sofrendo do mesmo mal das notas frias de PC-- ou seja, o superfaturamento para beneficiar quem queria lavar dinheiro. Segundo, porque devido à entrada do real grande parte dos partidos só receberá os bônus esta semana. A demora paralisou algumas campanhas e deixou deputados e senadores preocupados em agir na legalidade-- já que, sem a dedução do Imposto de Renda, esta é a única vantagem do bônus. Outros candidatos, autorizados pelo TSE, faturaram despesas ou emitiram recibos-- alguns serão trocados pelos bônus. Mas a maior parte das despesas, segundo um especialista do ramo, continua sendo feita conforme PC ensinou em 1989. Uma das maiores provas de que o bônus eleitoral está a quilômetros de distância de resolver os problemas que levaram PC à cadeia aconteceu no último dia oito, no Rio de Janeiro. O ex-deputado Ronaldo Cezar Coelho, responsável pelo setor de transportes da campanha do PSDB, tomou café da manhã com o presidente da VARIG, Rubel Thomas. Quando Cezar Coelho mencionou a palavra bônus, Thomas devolveu uma solução já pensada e discutida pela empresa. A VARIG rejeita a idéia criada pelo TSE. Optou por abrir uma conta corrente para cada campanha e oferecer descontos de 60% no preço das passagens ou adotar os mesmos preços cobrados das grandes agências de turismo, se o candidato preferir fretar aviões. O candidato do PSDB à Presidência, Fernando Henrique Cardoso, que estreou, no último dia cinco, em viagem a Goiás (GO), um avião Brasília de 30 lugares, continuará pagando com desconto por este serviço da VARIG. Antes, ele usou o jatinho Learjet 35 da Financeira Multiplic, que pertence a Ronaldo Cezar Coelho. Pelas regras da eleição, o candidato tucano burlou a lei ao cruzar os ares em avião alheio. O avião da VARIG legalizou os deslocamentos de Fernando Henrique ao custo de US$3,5 o quilômetros (JB).