Os gastos do Congresso Nacional com a contratação de mão-de-obra temporária junto a empresas prestadoras de serviços vêm aumentando a cada ano e praticamente dobraram desde o ano passado. Segundo dados do Serviço Integrado de Administração Financeira (Siafi) do Congresso, enquanto em 1993 as despesas da Câmara e do Senado com pessoal terceirizado chegaram a US$34,8 milhões, o Legislativo prevê para este ano um gasto de US$63,8 milhões. A necessidade de contratar mais pessoal externo existe e se deve ao fato de que a quantidade de servidores aposentados no Legislativo vem crescendo a tal ponto que, em dois anos, o Senado terá um número de funcionários aposentados equivalente ao de ativos. Mas, na avaliação de parlamentares das duas Casas, a tentativa de solucionar o problema com a contenção da folha de serviços efetivos criou outro mais grave: a formação de uma máfia de empresas fornecedoras de mão-de-obra que estaria atuando no Congresso. De acordo com o senador Dirceu Carneiro (PSDB-SC), ex-primeiro secretário do Senado, um cartel de empresários tem subornado funcionários públicos, a fim de ganhar as concorrências para contratação de pessoal no Congresso. "Além disso, estes empresários ficam com mais de quatro vezes o valor que pagam à maioria dos empregados", acrescenta (O ESP).