CRIMES MATAM MAIS QUE ACIDENTES NO RIO DE JANEIRO

A morte mudou de cara. Desde os anos 80, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro é a única do país onde o total de mortes por assassinato é maior que o de vítimas fatais no trânsito: a proporção é praticamente de dois por um. A pesquisa do Centro Latino-Americano de Estudos sobre Violência e Saúde (Claves) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), sobre o perfil da mortalidade no Brasil, vai além: em 92,3% desses crimes foram usadas armas de fogo. Quanto às faixas etárias, o "massacre" da década passada concentrou-se-- de 73% a 80%-- em vítimas em idade produtiva (15 a 39 anos). Apesar de incluir apenas dados da década passada, a pesquisa da FIOCRUZ aponta tendências pouco otimistas para os fluminenses nos anos 90. "A principal é o crescimento do número de mortes por homicídios nos grandes centros urbanos (onde estão 75% da população brasileira), destacando-se o Rio", afirma a coordenadora do Claves, Maria Cecília de Souza Minayo, uma das responsáveis pela pesquisa que desvendou o que há por trás da mortalidade no Estado do Rio de Janeiro. Ela exemplifica com o levantamento de 1984, quando o Grande Rio-- capital e cidades próximas-- concentrou 78,9% dos homicídios ocorridos no ano (JB).