O Brasil quer abandonar a posição de mero exportador de alimentos e matérias-primas aos países integrantes da União Européia. Deseja intensificar as relações comerciais, mas como fornecedor de produtos acabados. Para isso, é preciso que a União Européia supere suas limitações, defina sua política de comércio exterior e institua um sistema de trocas solidárias que permita o intercâmbio de recursos e tecnologia, além de manufaturados. Esse foi o recado dado por representantes do governo brasileiro, entre os quais Jório Dauster, embaixador do Brasil junto à União Européia, e Luiz Felipe Lampréia, representante brasileiro junto ao Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), aos participantes do III Fórum Euro-Latino Americano, promovido em São Paulo (SP) na semana passada. O mundo sofreu mudanças profundas com a queda do Muro de Berlim e o fim da guerra fria, lembrou o ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, que também participou do seminário. Essas mudanças impõem novos desafios aos países-membros da União Européia, acrescentou Ricúpero. "Desejamos nos integrar a esses desafios", declarou. "Mas para isso, nós e nossos parceiros do MERCOSUL precisamos encontrar as portas abertas", acrescentou Ricúpero a uma audiência composta de ministros de Estado europeus e representantes de instituições financeiras nacionais. A declaração foi feita logo após pronunciamento do ministro alemão Helmut Schafer, que convidou empresários brasileiros a investir no Leste europeu e com isso, participar do esforço dos membros da União Européia em favor do desenvolvimento daquela região. Cabe à comunidade européia definir estratégias para a sua segurança e sua política econômica, reconheceu Álvaro Vasconcelos, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais. "O futuro da União Européia depende de soluções como essas". Mas na sua opinião, a saúde do bloco europeu depende da harmonia de suas relações com o MERCOSUL, com cujos países integrantes tem profunda afinidade cultural (O ESP).