A oposição da Central Única dos Trabalhadores (CUT) ao Plano Real está esbarrando na aceitação da parte expressiva da população às medidas para a estabilização. "O povo parece estar anestesiado", afirma o presidente da central, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho. "E o pior é que o trabalhador pagou adiantado pela festa, porque teve o salário convertido pela média", completou. A avaliação de uma semana de campanha contra o real, feita pela direção executiva da CUT, foi de que os resultados deixaram a desejar, mas mostraram pelo menos que não há divergências no interior da CUT. Isso porque todos os dirigentes tomaram posição contra o plano. O presidente da CUT disse também que não se inibe com as acusações de que tomou posição contra o plano antes de as medidas serem testadas. Segundo ele, tudo foi anunciado com antecedência, o que permitiu avaliação prévia e a tomada de posição do movimento sindical. A primeira etapa da campanha incluiu 200 out-dors espalhados pelo país, cerca de 10 milhões de exemplares de jornais de sindicatos com críticas às medidas e panfletos. A estimativa é de que foram gastos R$500 mil para divulgar entre os trabalhadores o slogan "Parece pesadelo mas é Real". A segunda etapa da campanha não inclui marketing. Será hora de lutar pela indexação de salários e reposição de perdas. Petroleiros e bancários, duas categorias fortes controladas pela CUT, estão em campanha salarial e reivindicam resposição superior a 40%. A partir de setembro, trabalhadores dos setores químico, metalúrgico e plástico vão reivindicar a correção dos salários. "Se o governo não quiser um período de greves e conflitos vai ter de negociar", diz Vicentinho. Para ele, se a equipe econômica não quer reajustes de salários, terá de assumir uma negociação setorial, com compromissos como os assumidos pela indústria automotiva. "A CUT continua disposta a discutir as câmaras setoriais", afirmou (O ESP).