Em contraste com o tratamento rigoroso dispensado a policiais, advogados e juízes no escândalo do jogo-do-bicho, o Ministério Público do Rio de Janeiro procurou poupar seus integrantes na denúncia por corrupção passiva feita ao Tribunal de Justiça e optou por uma investigação interna, sem alarde, para decidir se eles devem ou não ser denunciados. O melhor exemplo disso é o caso do procurador de Justiça Aldegy do Nascimento e da promotora Lúcia Maria Lacerda Atalla, cujos nomes integram a relação de supostos beneficiados pelo esquema de corrupção do "banqueiro" Castor de Andrade. Em parecer encaminhado no final de abril ao procurador-geral de Justiça, Antônio Carlos Biscaia, e já anexado ao processo do jogo-do-bicho, o promotor Luiz Carlos Maranhão concede o benefício da dúvida aos seus colegas do Ministério Público, apesar das evidências: nomes incomuns e até a indicação das funções na lista. Em contrapartida, referências mais vagas serviram para que se denunciassem outros acusados, como, por exemplo, o advogado Luiz Eduardo Frias de Oliveira, ex-chefe de gabinete da Polícia Civil, indicado na lista do bicho apenas pelo apelido Dudu. A suposta discriminação será questionada pelos advogados dos 63 denunciados no esquema de propinas do bicho. O procurador Biscaia diz que novos nomes podem aparecer em aditamento à denúncia original de corrupção, mas não adianta se dele constarão Aldegy e Lúcia Atalla (O Globo).