O segundo maior latifúndio do país, com mais de 1,1 milhão de hectares-- equivalente a um pouco mais da metade do Estado do Sergipe--, localizado em área de floresta virgem entre os municípios de Caruari e Itamarati, no Amazonas, está à venda desde a semana passada. O madeireiro Mário Moraes, de 61 anos, decidiu anunciar seu patrimônio verde, porque ele ameaça empurrar para o vermelho os negócios da família. Há três anos, Moraes não vinha conseguindo pagar o Imposto Territorial Rural, estimado em R$1 mil por dia. Outro problema era a falta de capital para explorar economicamente o terreno, rico-- segundo ele-- em seringueiras e madeiras nobres, como cedro e virola. Moraes não quis revelar o preço de venda, e garantiu que a região está 100% preservada. Com exatos 1.187.755,6 hectares registrados no INCRA do Amazonas, o latifúndio de Moraes só perde em tamanho para o da empresa Manasa, que tem 1,5 milhão de hectares de terras nos municípios de Lábrea e Paunini, no Rio Purus, também no Amazonas. No Acre, Pedro Aparecido Dotto chegou a ter dois milhões de hectares, mas já perdeu metade da área por conta de ações judiciais movidas pelo INCRA, que o acusa de ter grilado terra da União (JB).