Pelo menos 70% das 1.152 mortes violentas de crianças e adolescentes no Estado do Rio de Janeiro ocorridas no ano passado tiveram ligação com a ação de grupos de extermínio. A informação consta da versão preliminar do relatório anual sobre extermínio organizado pelo CEAP (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas). O levantamento, que tomou como base dados colhidos no IML (Instituto Médico Legal) e na Secretaria de Polícia Civil, mostra que de 1988 a 1992 foram exterminados 1.888 crianças e adolescentes no estado. Segundo o secretário-executivo do CEAP, Ivanir dos Santos, há indícios de que 855 das 1.152 mortes violentas (74,22%) de pessoas com até 17 anos no estado em 1993 sejam resultado da atuação de grupos contratados para matar menores. Esses assassinatos foram cometidos com armas de fogo (570 dos casos) ou agressões (285), "formas típicas de ação desses grupos", afirmou Santos. No primeiro trimestre desse ano, segundo Santos, 234 das 308 mortes violentas de menores foram provocadas por grupos de extermínio-- 72,9% do total. A pesquisa do CEAP indica que 55,19% das mortes violentas de menores no trimestre aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, 26,62% na Baixada Fluminense, 12,66% em Niterói e 5,52% no interior. O secretário-executivo do CEAP informou também que aumentou a participação de meninas no total de menores assassinados por grupos de extermínio. "Em 1988, esse percentual de participação era em torno de 2% e no primeiro trimestre deste ano está em 21,1% do total" (FSP).