Mais de 105 milhões de brasileiros, ou 69,11% da população, não são atendidos pelos sistemas públicos de esgotos sanitários. A informação consta da 17a. edição do Catálogo Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, editado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes). O documento atribui os problemas à falta de investimento e de uma política concreta para o setor ambiental no país. Os dados são alarmantes: "trinta por cento das mortes de crianças com menos de um ano de idade são causadas por diarréia; 60% das internações em pediatria ocorrem por causa da falta de saneamento; existem 5,5 milhões de casos de esquistossomose no país; e a taxa de mortalidade materna é 50 vezes maior do que em alguns países do Primeiro Mundo". Ainda segundo o estudo, em 1993, apenas 4,2% dos investimentos foram dirigidos ao saneamento na região Nordeste, uma das mais carentes, onde a mortalidade infantil aumentou 22% neste ano e a dengue hemorrágica já atingiu mais de 300 mil pessoas. Segundo o catálogo, as populações mais atingidas pela inexistência de esgotamento sanitário são moradores de área rural, favelas, conglomerados da periferia das metrópoles, pequenas cidades do interior e loteamentos clandestinos, cujos esgotos correm a céu aberto. Para o chefe do Centro de Estudos e Pesquisas do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), Victo Zveibil, os números do novo catálogo refletem a realidade de milhares de municípios. Para ele, a situação está se agravando nos grandes centros urbanos, onde esgotos in natura estão sendo jogados em alguns rios, cuja água é captada para abastecer as redes públicas. Na comparação por estados, a pior situação, de acordo com o catálogo, é a do Estado do Tocantins, que não tem nada na área de esgotos e que abastece apenas 34,3% da população com água tratada. A situação do Maranhão e do Ceará também é dramática: nos dois estados, menos de 40% dos habitantes têm acesso a redes públicas de água (JC) (O ESP).